Como fica o que deixamos para trás em um intercâmbio?

Como fica o que deixamos para trás em um intercâmbio?

É claro que falar de intercâmbio é trazer à mente uma explosão de bons pensamentos sobre aquele que é um grande sonho, uma oportunidade incrível e uma experiência inigualável… Mas isso não significa que o tão desejado intercâmbio não traga consigo algumas dificuldades também. Talvez a maior delas possa ser sentida logo no início, quando se começa a planejar a viagem: o medo de deixar tanta coisa para trás. Família, amigos, namoro, emprego, tudo isso é parte da vida que construímos e é muito difícil dizer adeus àquilo que nos é tão fundamental.

Mais do que a saudade durante o período do intercâmbio, também é preciso lidar com o sentimento de insegurança que assola quem percebe que muitas coisas podem estar diferentes depois de passar tanto tempo no exterior, ou ainda quem percebe que terá que abrir mão de muitas delas antes mesmo de deixar o país. Afinal, um namoro pode não sobreviver à distância, os empregos não costumam aguardar longos períodos de ausência, muitos acontecimentos se sucedem durante a viagem e mudam tudo…

Ter que lidar com possíveis perdas é mesmo muito difícil e, infelizmente, quase inevitável quando se pensa em fazer um intercâmbio. Claro que é preciso administrar ao máximo cada detalhe da vida que está sendo deixada para trás, conversar muito com as pessoas próximas, buscar alternativas para as questões financeiras, para os relacionamentos, para o mercado de trabalho. Mas é ainda mais importante estar pronto para abrir mão do que for necessário e, principalmente, ter maturidade para resolver cada obstáculo desse tipo sem se abalar ou desistir do grande objetivo de morar fora.

Novidades imensas são a alma de qualquer intercâmbio e é preciso estar aberto a elas para que se viva realmente essa experiência. É assim que se conquista toda uma vida nova e cheia de grandes oportunidades. Muitas vezes, não é possível fazer com que tudo espere por nós enquanto estamos fora, conquistando todas essas coisas, mas essa pode ser uma ótima forma de reavaliarmos a vida: será que tudo isso que não pode nos esperar ainda duraria muito tempo mais? E será que vale a pena se prender tanto a elas? Isso vale para pessoas, empregos, apegos em geral…

Quando voltamos, podemos não encontrar tudo igual, mas nós mesmos não estaremos daquele mesmo jeito de antes. Algumas pessoas se vão, outras novas surgem. Deixa-se um emprego, conquista-se uma qualidade única para o currículo, que pode ser muito mais valorizada pelos empregadores do que passar mais tempo naquele emprego antigo.

Por mais incrível que estejam nossas vidas e tudo aquilo que as compõem, o fato é que nós nunca saberemos o que vem pela frente de qualquer forma. Morando fora ou não, nunca é possível ter certeza de quanto tempo ainda duraria aquele relacionamento, quanto tempo ainda ficaríamos naquele emprego, quanto tempo aquele grupo de amigos estaria do jeito que está hoje… Quando pensamos no quanto tudo é efêmero, parece mesmo uma loucura se agarrar a tudo e deixar de viver tanta coisa. Dizer adeus a uma parte da vida antiga e ter receios quanto ao mercado de trabalho pode parecer difícil, mas jamais poderá ser um motivo para abrir mão de algo tão maior quanto conquistar todo um mundo novo de possibilidades.

Custos esquecidos de uma viagem
Up Next:

Custos esquecidos de uma viagem

Custos esquecidos de uma viagem